Indicadores do mercado de trabalho estão abaixo do nível pré-pandemia no Piauí
Comparando-se os principais indicadores anuais do mercado de trabalho no Piauí, referentes aos
anos de 2019, anterior à pandemia, e os de 2021, observa-se que não foi possível superar os níveis
alcançados no período pré-pandemia. A dinâmica pode ser verificada nos dados da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Em 2019, a quantidade média de pessoas ocupadas foi de 1,29 milhão de pessoas, número que
caiu para 1,24 milhão de pessoas em 2021, cerca de 4% a menos. Na série histórica iniciada em 2012, a
maior quantidade de pessoas ocupadas no Piauí foi em 2014, com cerca de 1,41 milhão de pessoas, o
equivalente a 13,5% a mais que em 2021. Isso significa que havia cerca de 167 mil pessoas a mais
ocupadas em 2014.
No Piauí, a taxa de participação na força de trabalho, ou seja, a proporção de pessoas tanto
ocupadas como em busca de uma ocupação em relação ao total de pessoas em idade para trabalhar, foi
de 54,7% em 2021, inferior ao registrado em 2019, que foi de 57,9%. Na série histórica desde 2012, esse
indicador atingiu seu maior nível em 2014, quando chegou a 60,8%, cerca de 6,1 pontos percentuais a
mais que o registrado em 2021.
Em 2019, o quantitativo de pessoas ocupadas como empregado no setor privado do Piauí havia
sido de 461 mil pessoas, enquanto que, em 2021, foi de aproximadamente 450 mil pessoas, cerca de
2,3% a menos que em 2019. Na série histórica desde 2012, o maior quantitativo de pessoas ocupadas
como empregado no setor privado havia sido registrado em 2014, quando o mercado de trabalho
piauiense absorveu 540 mil pessoas, o equivalente a 20% a mais que em 2021, ou cerca de 90 mil
pessoas a mais ocupadas.
No tocante ao quantitativo de pessoas ocupadas como empregador no Piauí, observa-se que, em
2019, havia cerca de 51 mil pessoas, número superior ao registrado em 2021, que foi de cerca de 39 mil
pessoas, o equivalente a 23,5% a menos que o observado em 2019. Na série histórica desde 2012,
observamos que atingiu-se o maior número de pessoas ocupadas como empregador em 2017, que foi
de 56 mil pessoas, o que significa que em 2021 esse indicador foi cerca de 30,3% menor que em 2017.
Em 2021, a taxa de desocupação média do Piauí foi de 13,6%, pouco acima da média registrada
para o ano de 2019, que foi de 13,1%. Na série histórica desde 2012, a menor taxa média de
desocupação foi a registrada em 2014, quando atingiu-se 6,6%, ou equivalente a sete pontos
percentuais a menos que o obtido em 2021. Em números absolutos, havia 195 mil pessoas desocupadas
em 2021, enquanto que, em 2014, eram cerca de 100 mil pessoas.
Piauí teve aumento de empregados sem carteira de trabalho no final de 2021
No último trimestre de 2021, foi registrado aumento de 12,6% na quantidade de trabalhadores
do setor privado piauiense sem carteira de trabalho. Isso significa que 27 mil pessoas conseguiram um
emprego no final do ano, porém de modo informal. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nesse cenário, a desocupação permaneceu estável no Piauí, no 4º trimestre de 2021, com o
mesmo índice registrado no 3º trimestre: 11,9%. É a menor proporção do estado desde o início da
pandemia, quando a taxa de desocupação atingiu os maiores valores da série histórica da pesquisa,
iniciada em 2012. No Piauí, havia cerca de 173 mil pessoas desocupadas no último trimestre do ano
passado.
Ainda assim, o índice do Piauí está acima da média do país. O Brasil teve taxa de desocupação de
11,1% no 4º trimestre de 2021, queda de 1,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior,
quando o indicador foi de 12,6%.
Por outro lado, o Piauí teve o segundo menor indicador do Nordeste, à frente apenas do Ceará
(11,1%). Na região, a média ficou em 14,7%. O Amapá registrou a maior taxa de desocupação do país no
último trimestre de 2021, com proporção de 17,5%. Já Santa Catarina teve a menor: 4,3%.
Quanto ao crescimento de empregados sem carteira de trabalho, a situação foi verificada
também no Brasil. Com entrada de 753 mil pessoas nessa condição no 4º trimestre de 2021, o país teve
aumento de 6,4% em relação ao 3º trimestre. No Nordeste, houve aumento de 5,6% com contratação
informal de 213 mil empregados.
No Piauí, merece destaque ainda a recuperação da força de trabalho, que é o quantitativo de
pessoas que buscam uma ocupação no mercado de trabalho. Assim, no quarto trimestre de 2020, havia
cerca de 1,3 milhão de pessoas na força de trabalho do estado, que elevou-se a cerca de 1,4 milhão de
pessoas, um crescimento da ordem de 6,8% no período, representando a incorporação de cerca de 93
mil pessoas à força de trabalho do estado.
Aumenta quantidade de trabalhadores em atividades de Alojamento e Alimentação
Em um ano, o Piauí teve aumento de 77,4% na quantidade de trabalhadores atuando em
atividades de “alojamento e alimentação”. É o que indicam os dados da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O crescimento é observado ao comparar os números do 4º trimestre de 2020 e do 4º trimestre
de 2021. O percentual de aumento representa o ingresso de 36 mil trabalhadores no setor. Com isso,
houve um salto de 47 mil para 83 mil trabalhadores ocupados em atividades de “alojamento e
alimentação” no Piauí.
O país também registrou aumento de ocupação no grupamento de “alojamento e alimentação”.
Em um ano, ingressaram no setor 994 mil trabalhadores brasileiros. Com isso, o total de pessoas
ocupadas no setor subiu de 4,1 milhões para 5,1 milhões, o equivalente a um aumento de 23,9%.
No Piauí, foi verificado ainda aumento de pessoal ocupado no grupamento “administração
pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais”. Entre o 4º trimestre de
2020 e o 4º trimestre de 2021, o crescimento foi de 20,3%, com entrada de 46 mil trabalhadores no
setor. Assim, o total de pessoas ocupadas no setor subiu de 227 mil para 273 mil no período.
Cresce número de desalentados no Piauí
No Piauí, mais 41 mil pessoas passaram a fazer parte do grupo de desalentados entre o 4º
trimestre de 2020 e o 4º trimestre de 2021. São consideradas desalentadas aquelas pessoas que
desistiram de procurar emprego porque acham que não vão conseguir.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o aumento, da ordem de 21,9%, chegou a 226
mil o número de trabalhadores em situação de desalento no Piauí.
O crescimento vai na contramão do que ocorreu no país, onde o indicador teve queda. Entre o
último trimestre de 2020 e o último trimestre de 2021, reduziu em 16,6% a quantidade de pessoas em
desalento no Brasil. Isso representa que 950 mil pessoas saíram dessa condição.